Tirotoxicose e exoftalmia em criança de 5 anos

Autores: 

Martins A, Rosário F, Cabral J, Sobrinho L

Resumo: 
     Introdução: A tirotoxicose nos jovens corresponde em 95% dos casos a Doença de Graves. A oftalmopatia, presente em 23% dos casos, geralmente assume características menos graves que nos adultos. Apresenta-se um caso de uma criança com 5 anos e queixas de oftal­mopatia grave.
     Caso clínico: Criança do sexo masculino, 5 anos, com antecedentes de agitação psico­motora e exoftalmia do olho direito desde os 3 anos. Aos 4 anos foi diagnosti­cada Doença de Graves, sendo instituído propiltiouracilo (75 mg/dia) e propranolol (30 mg/dia). Por manutenção do quadro, foi transferido para o nosso Hospital em Julho 2006, medicado com metimazol 20 mg/dia e propranolol 30 mg/dia. Apresen­tava agitação psicomotora, insónia, taquicardia, diplopia intermitente e dor ocular à direita; exoftalmia moderada/acentuada do olho direito e retração palpebral/prop­tose do olho esquerdo; idade óssea superior à idade cronológica (1,5 anos). Analitica­mente T4l 3,1 ng/dl (0,8-2,2), T3l 11,4 pg/ml (2,7-5,3), TSH <0,02 mcg/ml, TRAb 38,8 UI/I (<1,5). Foi decidido efectuar tiroidectomia total precedida de cortico­terapia e soluto de Lugol. Em Agosto 2006, administraram-se 3 ciclos de metilpredni-solona (15 mg/kg/dia), em dias alternados, com melhoria subjectiva das queixas oculares e nor­malização dos valores de T4 e T3. Duas sema­nas após o internamento inicial, foi realizada tiroidectomia total, sem intercorrências. Iniciou posteriormente levotiroxina, 75 mcg/dia.
     Na observação de Setembro 2007, dimi­nuição da agitação psicomotora, sem queixas oculares, mas manutenção de exoftalmia à direita e proptose à esquerda.
     Discussão: Trata-se de um caso clínico de uma criança com hipertiroidismo não contro­lado, apesar de terapêutica com anti-tiroideus com dose superior à recomen­dada para a sua massa corporal. Neste caso a exoftalmia apre­sentava critérios de gravidade. A terapêutica com metílprednisolona no pré-operatório foi importante para obter melhor controlo de função tiroideia e da sintomatologia ocular. Após a cirurgia não se verificou diminuição da oftalmopatia, mas verificou-se desapareci­mento da sintomatologia.

 

Apresentado: 
no IX Congresso Português de Endocrinologia (59ª Reunião anual da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo - SPEDM, e 1st Joint Meeting SEEN-SPEDM), em Lisboa, Janeiro de 2008