Autores:
João Cabral
Resumo:
O que são: Os cianoacrilatos são moléculas orgânicas (monómeros vinil), ésteres do ácido a-cianoacrílico, normalmente utilizados na indústria como colas com alto poder adesivo e de resistência, características estas que têm vindo a introduzir o seu emprego em Medicina. Trata-se de um líquido electronegativo de baixa viscosidade, composto por uma molécula com um radical ciano e outro acrilo, que polimeriza em meio iónico (rico em aniões), convertendo-se num material adesivo, sólido e resistente.
Há vários tipos de cianoacrilatos: metil, etil, butil, isobutil, alil, metoxietil, etc. O mais utilizado em medicina é o N-butil-2-cianoacrilato, por possuir boas características clínicas e por provocar menor reacção tecidular.
Como actuam: Os cianoacrilatos mantêm-se líquidos na presença de moléculas ácidas que estabilizam o monómero. Quando o composto é colocado numa solução iónica (como o sangue ou os transudados dos tecidos, por exemplo), os aniões anulam o componente ácido estabilizador e forma-se um polímero sólido. O radical ciano adere às proteínas dos tecidos em que se encontra (daí o seu poder adesivo), e o radical acrilo é o responsável pela polimerização (dando origem ao composto termoplástico). A polimerização ocorre em poucos segundos (mas pode ser retardada um pouco por um baixo pH) e liberta calor, o que é importante na consideração da sua toxicidade. Pode-se acrescentar uma substância radiopaca para melhor controlo radiológico.
Apresentado:
na reunião Oftalmologia e Neuroradiologia de Intervenção, na Amadora, Janeiro de 1998